Viagem ao Sul da Lusitânia Romana
PROGRAMA
Início: 08:30 (Junto ao Templo Romano)
Évora na Antiguidade
Ebora Liberalitas Iulia
Apesar de o topónimo Ebora constituir uma referência indígena, não se encontrou, até ao presente, qualquer vestígio arqueológico capaz de provar uma origem pré-romana para a cidade de Évora. Na visita vamos passar pelo Templo Romano, falar sobre o forum e o urbanismo da cidade Antiga enquanto seguimos para ver a domus e a muralha romana tardia e medieval na Alcárcova de Cima e como esta se sobrepõe a uma residência do século I. Para concluir, e antes de partirmos para a villa de S. Cucufate, passaremos pelos banhos públicos no edifício da Câmara Municipal e pelo Arco de D. Isabel, a única porta da primeira muralha de Évora que chegou aos nossos dias.
Templo Romano de Évora
O Templo, como hoje o podemos observar, é o vestígio mais evidente do que foi o forum da cidade romana. De planta retangular, com 25x15m, hexastilo e períptero, foi construído, na primeira metade do século I d.C., no estilo coríntio com recurso aos materiais da região, o mármore nas bases de coluna e nos capitéis e o granito na estrutura do podium, nos fustes de coluna e no entablamento. A envolvê-lo a norte, este e oeste um tanque revestido a opus signinum criava um espelho de água certamente relacionado com o culto.
Templo Romano de Évora, pormenor dos capitéis e entablamento
(fotografia © DRCAlentejo)
Domus e muralha romana tardia e medieval na Alcárcova de Cima
A poente do templo, no edifício sede da Direção Regional de Cultura do Alentejo, existe um troço bem conservado da muralha romana tardia, construída no século terceiro, aí é possível observar a reutilização de materiais de outras construções e a forma como esta estrutura defensiva sobrepôs as ruínas de uma casa do século I, uma domus, testemunhando, como também é observável noutros casos conhecidos, dos quais o mais evidente é Conimbriga, por esta altura a construção de defesas físicas das cidades implicaram a redução da área urbana, demolindo e/ou deixando fora algumas construções.
Troço de muralha romana e vestígios de domus, Alcárcova de Cima
(fotografia © DRCAlentejo)
As termas do edifício dos Paços do Concelho
O edifício dos atuai Paços do Concelho assenta, talvez na sua totalidade, sobre os vestígios de umas termas, banhos públicos. Os trabalhos arqueológicos realizados, trouxeram à luz do dia uma grande natatio que hoje não podemos ver e um laconicum que se pode visitar a partir da área de distribuição da entrada do edifício.
Laconicum das termas romanas no edifício dos Paços do Concelho
(fotografia © DRCAlentejo)
S. Cucufate, Vila de Frades, Vidigueira
Em local pouco elevado, mas dominando visualmente a paisagem a sul, até Beja, instalou-se em época romana, no séc. I d. C., uma villa, centro de uma exploração agrícola; aí poderia residir o proprietário e se organizavam os trabalhos necessários à produção e se armazenavam e transformavam os produtos da terra que lhe pertencia. Foi no decurso deste período, até ao século IV, que a "casa" da primeira instalação se foi progressivamente monumentalizando, tendo passado por duas grandes campanhas de obras, a primeira, no século II, mais tímida, vinca o carácter "urbano" da residência, e a segunda, nos meados do século IV, de rutura com o modelo arquitetónico seguido no decurso dos séculos anteriores; a tradicional casa de peristilo, fechada sobre si mesma, centrada sobre um ou mais pátios interiores, substitui-se por uma arquitetura aberta ao exterior, de desenvolvimento linear, em que as fachadas são valorizadas, pela multiplicação dos vãos, como elemento de ligação entre os espaços interiores e o exterior. São desta fase os vestígios que, ainda hoje, e conservando apenas parte do piso térreo, testemunham a grandiosidade e opulência de uma época que se aproximava do seu fim.
Sítio arqueológico de S. Cucufate, Vila de Frades, Vidigueira
(fotografia © DRCAlentejo)
Almoço: 13:00 - 14:30 S.Cucufate
Beja na Antiguidade
Pax Iulia
Capital do Conventus Pacensis, que englobava todo o sul da província da Lusitânia, Pax Iulia instala-se no mesmo local onde existia já um importante povoado da Idade do Ferro. Bem no centro da cidade, os restos do antigo forum e, em particular, do seu templo ainda impressionam pela solidez da construção e pela forma como, primeiro, conviveram com as estruturas monumentais do povoado indígena e, depois, foram sendo reutilizados na construção da cidade medieval e moderna até serem quase completamente ignorados em período muito próximo da atualidade. Da cidade antiga conhecem-se outros fragmentos.
O tanque envolvente do Templo do forum de Pax Iulia
(fotografia © DRCAlentejo)